Guerra

Hamas reaparece nas ruas de Gaza enquanto palestinianos retornam a casas destruídas após cessar-fogo

Milhares de palestinianos deslocados começam a retornar às suas casas destruídas nas zonas norte e central de Gaza, enquanto forças policiais do Hamas reassumem posições nas ruas após retirada das tropas israelenses.

Autor
OMGNews24
Publicado
11/10/2025
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Hamas reaparece nas ruas de Gaza enquanto palestinianos retornam a casas destruídas após cessar-fogo

Após dois anos de guerra intensa, a Faixa de Gaza começa a respirar sinais de alívio. Com a retirada das tropas israelenses e a implementação de um cessar-fogo, milhares de palestinianos deslocados começaram a retornar às suas casas — ou ao que restou delas — nas zonas norte e central do território. Em meio ao cenário de destruição, a presença do Hamas volta a ser notada, com forças policiais do grupo reassumindo posições nas ruas, conforme reportado pelo Wall Street Journal.

Acordo mediado por coligação internacional

O frágil acordo de cessar-fogo foi mediado por uma coligação internacional liderada pelo presidente norte-americano Donald Trump, com apoio de países árabes e muçulmanos. A trégua prevê, entre outros pontos, a libertação de cerca de 20 reféns vivos mantidos pelo Hamas e a entrada massiva de ajuda humanitária em Gaza, estabelecendo um marco diplomático significativo na resolução do conflito.

A implementação do acordo representa uma das principais conquistas diplomáticas da administração Trump no Oriente Médio, demonstrando a capacidade americana de mobilizar apoio internacional para mediar conflitos complexos na região.

Retorno em massa revela devastação completa

Imagens divulgadas por agências internacionais mostram longas filas de civis e veículos ao longo das estradas costeiras, na tentativa de retornar ao norte de Gaza. Muitos fugiram para o sul durante os meses de combates mais intensos, onde enfrentaram escassez de alimentos, abrigo e segurança, conforme documentado pela Reuters.

"Estamos a voltar, mas não temos para onde ir. A nossa casa já não existe", disse um morador de Beit Lahia à Reuters. A destruição nas áreas mais afetadas é quase total: edifícios arrasados, infraestrutura básica colapsada e falta de serviços essenciais como água potável, eletricidade e atendimento médico.

Hamas retoma controle administrativo do território

Com a retirada das tropas israelenses, agentes do Hamas — muitos dos quais desapareceram da vista pública durante os confrontos — voltaram a patrulhar partes de Gaza. Fontes locais relatam o reaparecimento de postos de controle, sinalizando que o grupo pretende retomar a administração do território, ao menos em áreas ainda sob seu controle.

Israel ainda não reconheceu publicamente o regresso da autoridade do Hamas, mas fontes militares indicaram que estão monitorizando a movimentação do grupo de perto. Especialistas alertam que a trégua pode ser temporária, caso as condições do acordo não sejam rigorosamente cumpridas, conforme reportado pelo The Guardian.

Operação humanitária complexa em preparação

A libertação dos reféns por parte do Hamas deve ocorrer nos próximos dias. Em contrapartida, espera-se uma operação coordenada de ajuda humanitária com entrada de alimentos, medicamentos, tendas e combustível — itens escassos após meses de bloqueios e bombardeamentos, segundo a Associated Press.

Organizações internacionais, como a ONU e a Cruz Vermelha, já preparam comboios para entrar em Gaza. Contudo, a operação logística é complexa, exigindo garantias de segurança por parte de ambos os lados. "O povo palestiniano precisa de assistência urgente, mas também de garantias de que o cessar-fogo será respeitado. A ajuda humanitária não pode ser usada como ferramenta de barganha política", declarou um porta-voz da ONU.

Desafios da reconstrução e trauma coletivo

O retorno massivo de deslocados revela a magnitude da destruição em Gaza, com áreas inteiras transformadas em paisagens de ruínas. O Le Monde descreve o cenário como "massas de pessoas deslocadas retornando ao norte de Gaza em meio a uma paisagem de ruínas", destacando a enormidade da tarefa de reconstrução que espera a população palestiniana.

Além dos desafios físicos da reconstrução, a população enfrenta traumas psicológicos profundos após dois anos de conflito intenso, exigindo não apenas ajuda material, mas também suporte psicossocial e programas de reabilitação comunitária.

Monitorização internacional e estabilidade frágil

A comunidade internacional mantém-se vigilante quanto ao cumprimento dos termos do cessar-fogo, com observadores destacando a importância de mecanismos de verificação robustos. A presença renovada do Hamas nas ruas levanta questões sobre a governança futura de Gaza e a capacidade de manter a estabilidade a longo prazo.

Analistas internacionais apontam que a paz duradoura dependerá de negociações políticas de longo prazo, com envolvimento ativo da comunidade internacional, e de um acordo viável entre Israel e a liderança palestiniana que aborde as causas estruturais do conflito.

Futuro incerto para população civil

Apesar da trégua, o cenário permanece instável. Os civis em Gaza continuam a pagar o preço mais alto, enfrentando uma reconstrução dolorosa, traumas psicológicos e a incerteza de um futuro seguro. A eficácia do cessar-fogo dependerá da capacidade de ambas as partes honrarem seus compromissos e da continuidade do apoio internacional.

O retorno às casas destruídas simboliza tanto a resiliência do povo palestiniano quanto a fragilidade da situação atual, onde esperança e devastação coexistem numa realidade complexa que exigirá anos de esforços coordenados para uma solução duradoura.

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